A área de Tecnologia da Informação (TI) é um dos setores que mais sofrem com a escassez de mão de obra qualificada atualmente. Até 2014, segundo um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), ela poderá apresentar falta de pelo menos 45 mil profissionais. A pesquisa mapeou o mercado de trabalho do setor em oito Estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul – e concluiu que haverá uma demanda de aproximadamente 78 mil profissionais de TI nos próximos três anos. No entanto, há uma previsão de formação de apenas 33 mil novos profissionais nos cursos superiores de tecnologia e computação.
São Paulo é o Estado com situação mais crítica atualmente, onde houve 14 mil contratações em 2010, enquanto as universidades formaram 10 mil novos profissionais. O estudo aponta um dos grandes problemas da área: a evasão nos cursos da área em 2010 foi de 87% em todo o Brasil.
Desde 2003, os salários de profissionais de TI crescem acima da inflação na maioria dos Estados. A média salarial para a área era de R$ 3.650 em 2011.
Sobre o perfil dos profissionais da área de tecnologia da informação, para Marcelo Rodrigues de Sousa, professor da Faculdade de Computação e coordenador do Núcleo de Gestão da Inovação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), estes são caracterizados por sua paixão por tecnologia, em todas as formas. “Espera-se uma pessoa curiosa, com perseverança, vontade de crescimento, visão aberta do mundo e, sobretudo, comprometimento com o trabalho. Nos cursos de formação superior são desenvolvidas várias habilidades necessárias ao sucesso profissional, dentre elas a capacidade de aprender a aprender é, sem dúvidas, a mais importante”, explicou Marcelo.
São também importantes a capacidade de se relacionar de forma horizontal e vertical, a capacidade de trabalhar em equipe, flexibilidade, comunicação eficaz, uma iniciativa perseverante e ser, acima de tudo, multitarefa. A flexibilidade é considerada uma das competências mais relevantes no futuro, em que o profissional deverá estar sempre preparado para mudanças e, mais do que isso, ser o próprio agente de mudanças, capaz de aprender e desaprender as coisas de forma muito rápida.
Segundo Marcelo, homens e mulheres são igualmente bem sucedidos, geralmente para trabalhos distintos, já que os homens se destacam em programação, infraestrutura e desenvolvimento. Já as mulheres têm habilidades reconhecidamente bem desenvolvidas nas áreas de análise e gerenciamento de projetos de software. “Hoje, a inovação tecnológica é fundamental para o desenvolvimento do país. Os novos profissionais da área de tecnologia da informação necessariamente devem apresentar uma capacidade de produzir e fomentar inovação nas empresas”, disse.
A inovação na indústria global depende fundamentalmente do uso dos computadores. Hoje, a palavra mais utilizada nos meios produtivos é “inovação”, fundamentalmente a inovação tecnológica. É o que o professor Marcelo chama de “baú sem fundo”, decorrente da demanda crescente por profissionais de alta qualificação, exatamente onde está o problema. Nos últimos anos, em todo o mundo, há uma diminuição do interesse dos melhores alunos em direcionar-se ao mundo da informática. Esse é um problema de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, os países do Mercado Comum Europeu, a Coreia, a China e o Brasil.
São urgentes as medidas para modificar esse quadro no Brasil, sob pena de, em 20 anos, o crescimento ser impedido pela ausência desses valiosos e estratégicos profissionais.