Terceiro setor já comenta as formas e a mensuração de resultados para políticas sustentáveis eficientes
Ainda
é difícil determinar se empresas estão atingindo bons resultados
financeiros por investirem no social, ou se o investimento direto em
responsabilidade social é o que garante a lucratividade. O fato é que
elas estão ganhando mais dinheiro preocupando-se com o bem-estar das
pessoas, garante Eliane Belfort, vice-presidente do Conselho Superior de
Responsabilidade Social (Consocial) da FIESP (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo).
A executiva descontraidamente apelida o
dilema de ‘Efeito Tostines’ em sustentabilidade. “É hora de colocar a
economia a serviço do homem”. Para a empresária, conceitos como o de
auto-regulamentação do mercado já caíram por terra e é necessário criar
uma nova maneira de fazer a máquina econômica girar – investimento
social e na qualidade de vida é uma das correntes mais promissoras.
“As
pessoas hoje querem que a economia as sirva e isso está criando
movimentos como o Ocupe Wall Street. Os grandes problemas gerados no
mundo foram fruto da ênfase que foi dada a ideia de que o homem (no
contexto de sociedade) deveria ficar à margem do processo econômico”,
diz.
Essa clara modificação do pensamento econômico que vem
eclodindo ao redor do mundo está começando a apresentar resultados.
Segundo Eliane, os gestores têm investido mais em ações de
responsabilidade social e com seus próprios recursos.
“As empresas
de pequeno porte estão aderindo a essa postura e as companhias se
utilizam cada vez menos das leis de incentivos fiscal para fazer isso”,
afirma.
De dentro para fora
É praticamente impossível
assumir uma postura socialmente responsável para o mercado sem cuidar
antes dos próprios colaboradores. Para Ruy Shiozawa, CEO da Great Place
to Work no Brasil, a transformação do local de trabalho em um ambiente
de prazer e inovação é um tiro certo para uma empresa ser bem-sucedida
nos tempos atuais.
A entidade também possui uma classificação de
142 países indicando os mais competitivos economicamente. Nessa lista, o
Brasil aparece em 53º. A posição pareceria boa, não fosse o Brasil o 5º
maior país do mundo em território, temos a 5º maior população e somos a
7º economia do planeta.
Carência na esfera pública
Em
algumas categorias que definem o posicionamento final dos países na
lista da Great Place to Work, o Brasil não vai nada bem. No ranking de
educação básica, por exemplo, ficamos em 124º e considerando o
desperdício do dinheiro público, caímos para a 136º colocação.
Além
das questões éticas e a valorização do profissional, Fernando
Carillo-Florez, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(Bird) no Brasil, para aumentar a riqueza do país é necessário combater
a desigualdade social.
“Sustentabilidade e equidade social são
variáveis que não podem ser desconsideradas na hora de medir o
desenvolvimento econômico de uma região”, defende.
Para
Carillo-Florez a implantação de políticas sociais como o Bolsa-Família
impulsionam as economias, mas o grande desafio é conseguir manter esse
progresso. “Os países precisam criar entidades eficientes que possam
perpetuar e garantir esse poder de compra aos menos favorecidos para que
eles façam parte, de fato, da sociedade”, afirma.
Portal HSM
22/11/2011