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Consumerização: seus hábitos para dentro da empresa


Entenda o fenômeno que, se já não está, estará em breve em todas as empresas de TI

O termo pode não ser muito conhecido, mas o fenômeno está invadindo o mundo corporativo. Consumerização é o termo usado para descrever o uso por funcionários de tecnologias no trabalho que são comumente usadas em casa, na rua ou no lazer.

O Em Notícia já abordou aqui o termo BYOD (Bring Your Own Device), que protagoniza uma confusão com a consumerização, já que ambos os termos se referem aos mesmos aparelhos: tablets, smartphones e notebooks. A diferença é a origem do dispositivo. No BYOD, ele pertence ao usuário: ele o adquiriu e o levou para o trabalho. Já na consumerização, é de propriedade da empresa e é cedido ao funcionário para que ele use.

De acordo com Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil, a consumerização de TI é um movimento que acarreta um impacto ainda não adequadamente dimensionado. “Esta mudança, onde BYOD (Bring Your Own Device) e BYOA (Bring Your Own App) são alguns dos principais sintomas, muda por completo a dinâmica de poder entre o setor de TI e os usuários”, explica.

Ele afirma que o que a consumerização embute é o fato de que a tecnologia torna-se mais e mais intuitiva e user-driven, com os usuários tornando-se a cada dia mais íntimos com seu uso (basta comparar a geração digital com os baby boomers para vermos a diferença comportamental) e, portanto, com autossuficiência para escolherem por si mesmos quais dispositivos, apps e métodos de trabalho desejam adotar.

O processo de consumerização está transformando a maneira como os usuários adotam aplicativos. As lojas de aplicativos públicas, como Apple Store ou Google Play, somam cerca de 1,5 milhão de títulos e contêm sofisticados apps que os usuários já se acostumaram a usar. Estimativas apontam que, em 2016, serão cerca de 300 bilhões de downloads por ano.

Diante de mudanças tão profundas, o gestor de TI deve se preparar para enfrentar esse fenômeno. Segundo Cezar Taurion, os CIOs e a área de TI devem olhar a consumerização como uma oportunidade e não como um inimigo. Além disso, é preciso entender que não é um modismo passageiro. “Os smartphones e tablets estão hoje entrando nas empresas como os desktops e laptops já estiveram. Por outro lado, embute desafios, que vão da segurança a questões legais como privacidade, mas que, em parceria com risk management, RH e jurídico podem tornar a TI uma área estratégica para a empresa”, destaca.

Gustavo Santarém, gerente de Portfólio de Serviços Gerenciados da Algar Tecnologia, cita ainda que a consumerização causa impactos, como uma maior vulnerabilidade na segurança da informação e riscos trabalhistas como proteção de dados pessoais, utilização de ativos pessoais e carga de horária de trabalho. “A gestão de TI deve buscar entender a estratégia de mobilidade corporativa que deve ser adotada conforme o perfil de cada empresa, necessidade e riscos inerentes ao seu negócio para depois desenvolver um plano de implementação da mobilidade corporativa alinhado a essa estratégia, uma vez que a consumerização trata-se de um caminho sem volta”, afirma.

Modelo de gestão precisa mudar
O modelo atual de gestão de dispositivos é baseado no princípio de que a área de TI detém o absoluto controle do parque computacional, homologando os hardwares e softwares que poderão ser utilizados pelos usuários. “Funcionou 100% quando os usuários só tinham terminais dumb. Com os desktops, começou-se a se perder o controle, pois alguns aplicativos ‘ilegais’ entravam nas máquinas. E, mesmo quando o controle interno era rígido, uma simples cópia para o desktop do funcionário, em casa, abria espaço para brechas de segurança. Com os laptops, o nível de controle caiu mais ainda e, com smartphones e tablets, pensar em manter o controle rígido de antes é absolutamente inútil”, explica Taurion.

Com a consumerização, os hábitos de uso de smartphones e tablets são levados do dia a dia para dentro das empresas e é impensável separar as atividades pessoais das profissionais. Assim, torna-se quase que inconsciente armazenar dados no DropBox, sem separação do que é informação crítica ao negócio ou um simples texto pessoal. Lutar contra é uma luta inglória. “Portanto, em vez construir uma inútil mureta contra o tsunami que está chegando, é mais inteligente entender o movimento de consumerização e o BYOx – traga seus próprios dispositivos, traga suas próprias nuvens, traga seu próprio WLANs, traga seus próprios aplicativos”, afirma Taurion.

Segundo o gerente de Novas Tecnologias, o primeiro passo é a educação. Os usuários precisam entender quais são as políticas da empresa em relação ao uso de apps, dispositivos e nuvens públicas. Aliás, muitas empresas ainda não definiram esta política. “A política pode e deve, em muitos casos, restringir o download de determinados apps de lojas públicas, mas também deve criar meios alternativos para que as funcionalidades destes apps sejam providas de outra forma. À medida que mais experiências se acumulem no uso dos dispositivos móveis, vamos refinando a política e os processo de gestão do BYOx”, recomenda Taurion. Que tal pensarmos em uma loja de apps interna? Uma “corporate app store”, modelada ao estilo das lojas públicas pode ser um caminho interessante para facilitar a distribuição de apps que sejam úteis e, ao mesmo tempo, estejam aderentes às políticas internas da empresa.

Sem controle, mas nem tanto
O setor TI não é mais dono do ambiente tecnológico dos usuários. O tradicional paradigma da homologação e definição por TI do que pode ou não entrar na empresa já não vale mais. Portanto, a área de TI deve desenhar estratégias de convivência, que permitam, ao mesmo tempo, oferecer dentro das empresas experiências similares às que os funcionários têm em casa, mas que garantam um nível de segurança adequado aos seus requisitos de compliance e auditoria corporativos.

Na prática, pode-se pensar em dois extremos nesta estratégia. Em um, tudo é proibido, e nenhum smartphone entra na empresa. Impossível de controlar. Vamos esquecê-la. No outro extremo, tudo é liberado, mas os riscos são imensos. O que precisamos é definir um ponto entre os extremos que seja mais adequado à cultura e maturidade da organização. A área de TI deve liderar o processo, mas envolvendo outros setores, como gestão de riscos, RH e jurídico, uma vez que aspectos legais e trabalhistas serão envolvidos. A política BYOD deve ser pragmática, definindo critérios de aceitação de dispositivos e nuvens pessoais, não ficando presa a produtos ou modelos de dispositivos específicos.

Consumerização na Algar Tecnologia
De acordo com Gustavo Santarém, a Algar Tecnologia já está na onda da consumerização. “Sabemos que os benefícios são maiores que os riscos que podem ser mitigados com uma boa campanha de conscientização e a criação de uma política BYOD bem elaborada e aderente às nossas necessidades”, afirma.

Gustavo cita que incidentes de segurança da informação são inevitáveis ao estar inserido em um contexto em que a mobilidade e a informação é amplamente difundida de diversas formas e canais. “Mas, através de estudos, pesquisas e conhecimento aprofundado sobre o assunto, adotamos contramedidas eficientes quanto ao risco e problemas identificados”, completa.

Para empresas que estão receosas em adotar a consumerização, Gustavo afirma que quem estiver disposto a encarar essa nova tendência, que não é tão simples de ser implementada, o quanto antes, sairá na frente. “Os benefícios e o retorno financeiro são grandes: 59% dos profissionais brasileiros estão dispostos a ganhar menos para ter mais flexibilidade quanto à escolha de ferramentas e local de trabalho. Portanto, a consumerização pode ser uma das principais oportunidades para contribuir com o desafio de se tornar mais competitivo em um mercado altamente disputado”, destaca.

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Imagem: Reprodução/Internet