Pensadores mais influentes de 2011 exaltam o papel dos países em desenvolvimento para futuras estratégias inovadoras
Inovação
e criatividade são, sem dúvida, os maiores paradigmas do mundo dos
negócios atual. Clayton Christensen, eleito pensador mais influente de
2011 pela Thinkers 50 e palestrante da HSM ExpoManagement 2001, cunha a
importância do tema em seu livro “O Dilema da Inovação”.
Christensen
destaca o dilema das empresas em um mundo onde as mudanças são mais
rápidas, mais dinâmicas e, ao mesmo tempo, arrebatadoras. Todos os dias
setores inteiros da economia confrontam novas realidades e as ameaças da
gestão da inovação e de riscos nesse novo cenário.
Essas novas
propostas também são avaliadas pelo terceiro pensador mais influente de
2011, o indiano Vijay Govindarajan a partir da análise da “inovação
reversa”.
O papel das economias emergentes é mais do que criar
volume e esses países representam uma nova fronteira a ser conquistada.
Para ele, o modelo reverso e o segredo do sucesso não está no tamanho
dos mercados conquistados e sim naqueles que ainda não foram explorados.
Em entrevista exclusiva ao Portal HSM, Govindarajan explica um
pouco mais a respeito da virada protagonizada pelos países em
desenvolvimento em relação à inovação:
Portal HSM –
Por que essa é uma tendência (inovação reversa) – você acha que a crise
financeira nos países desenvolvidos fez com que a inovação em países em
desenvolvimento se tornasse mais visível e necessária?
Vijay Govindarajan – Historicamente,
multinacionais inovavam em países ricos e vendiam seus produtos em
países mais pobres. A inovação reversa está fazendo exatamente o oposto.
Ela consiste em inovar em países pobres e vender esses produtos em
países ricos. O crescimento em países desenvolvidos ficou mais lento e
está acelerando em países mais pobres. Isso já era antes uma verdade.
Porém, a crise financeira de 2008 e a mais recente crise das dívidas nos
EUA e Europa apenas trouxeram mais destaque aos mercados emergentes.
Por isso a tremenda importância da inovação reversa.
Portal HSM – Como alternativa, mover centros de inovação e iniciativas para países em desenvolvimento implica em menores custos?
Govindarajan –
Redução de custos não é a única razão para se dirigir aos países menos
desenvolvidos. Trata-se de inovar para os clientes em países mais
pobres. Há mais de cinco bilhões de pessoas nesses países – enxergue-os
como cinco bilhões de consumidores. Essa é uma mega oportunidade.
Portal HSM –
Considerando que novos produtos e ideias virão mais e mais de países do
BRIC e nações similares, podemos esperar alguma diferença de abordagem,
uma vez que esses países ainda possuem uma enorme necessidade de
avanços em educação e infraestrutura, poderíamos esperar mais
desenvolvimento e tecnologia social do que industrial?
Govindarajan –
Países mais pobres carecem de infraestrutura. Desse modo, inovações em
países menos desenvolvidos têm de ser distintas. Às vezes a falta de
infraestrutura pode ser uma vantagem. Países pouco desenvolvidos já
saltaram rumo à infraestrutura wireless, em contraposição à telefonia
fixa. Eles terão a liderança em energia solar, eólica, biogás e outras
tecnologias renováveis, assim como em sistemas de saúde e bancários
móveis, construídos a partir da comunicação via celulares.
Portal HSM – Na sua visão, o que falta para o mercado brasileiro se tornar um país mais inovador?
Govindarajan –
O desafio para companhias brasileiras é focar nos clientes brasileiros e
resolver seus problemas por meio da inovação. Há muitas oportunidades –
saúde, educação, transportes, energia etc para companhias brasileiras
lançarem estratégias globais.
Referências
Tuck School of Business at Dartmouth. Blog Vijay Govindarajan - http://www.tuck.dartmouth.edu/people/vg/.
Clayton Christensen Key-Concepts, in www.claytonchristensen.com.
Portal HSM
28/11/2011